Vinícius o via como o Orfeu, mas Zózimo só queria saber do futebol


De um tempo em que as primeiras notas da Bossa Nova começavam a ser tocadas vem a história envolvendo Zózimo. E como quem conta é nada menos que Ronaldo Bôscoli, que antes de se tornar compositor e produtor cultural era repórter da revista Manchete Esportiva, não dá para duvidar.

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No final de setembro de 1956, estreava no Municipal do Rio ‘Orfeu da Conceição’, de Vinícius de Moraes. Era a primeira vez em que atores negros pisavam no palco do famoso teatro carioca. Zózimo vestia a camisa do Bangu e já era, como se dizia na época, um ‘scratchman’, ou um jogador da Seleção Brasileira.

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Com a peça em cartaz, Vinícius dava o pontapé inicial para levar a história para as telas grandes, em cinemascope e cores. Numa conversa com Bôscoli, ele revelou que achava o zagueiro baguense um perfeito ‘Orfeu’ e pensava em convidá-lo para o papel principal do seu filme.

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O amigo, cunhado e companheiro fiel das agradabilíssimas noitadas de bons uísques e excelente música tratou de tirar a ideia da cabeça do Poetinha. Bôscoli conhecia também os bastidores da bola. Sabia o quanto Zózimo era um devoto fervoroso do futebol. Com toda certeza, não toparia.

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Ele era daqueles que não fumavam, nem bebiam. Ia para cama cedo, pensando em acordar nos primeiros raios de sol para se exercitar antes de seguir para o treino no seu clube. Aos 24 anos, já famoso e com muitas pretendentes a sua volta, não queria saber de namorada. Pelo menos, naquele momento. Sua paixão era pela bola.

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Vinícius nem chegou a fazer o convite e foi atrás de um outro ‘Orfeu’. Zózimo continuou exercendo sua devoção maior, a que lhe rendeu por duas vezes a possibilidade de pegar a ‘estatueta’ Jules Rimet.

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Em 1958, como reserva de Orlando, e titularíssimo em 1962. No total, fez 36 partidas pela Seleção Brasileira principal e três pela olímpica, que disputou os Jogos de Helsinki de 1952.

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Foto: Manchete Esportiva