Sucesso de Gilmar passou em parte pelo 'Paizão' e técnico Brandão


Gilmar foi o maior goleiro da história do futebol brasileiro. Bicampeão mundial com a Seleção brasileira, pentacampeão brasileiro, bicampeão da Libertadores e do mundial com o Santos, mais sete campeonatos paulistas, cinco Rio-São Paulo...


Mas pouco antes de ganhar a primeira de tantas taças, viveu um momento crítico, daqueles que poderiam ter feito sua carreira desandar, talvez encerrá-la precocemente. Mas os deuses do futebol colocaram no seu caminho um outro gigante do futebol nacional, que foi decisivo na sua recuperação. Vamos à história.


Gilmar começou a jogar no juvenil do Jabaquara em 1945, passando logo depois para a equipe principal. Em 1950, foi contratado pelo Corinthians para brigar pela camisa 1 com Cabeção, ídolo da torcida alvinegra. Não foi fácil superar a desconfiança inicial e destronar o antigo titular. Mas conseguiu mostrar que era um goleiro bem acima da média.


Até o dia em que o líder Corinthians encarou a Portuguesa, a melhor Lusa da história, com Djalma Santos e Julinho Botelho, e sob o comando de Oswaldo Brandão. O jogo era válido pelo Paulistão de 1951. Tudo saiu errado para o Timão, que sofreu a humilhante goleada de 7x3.


Como o restante da equipe, Gilmar esteve irreconhecível e foi responsabilizado pelo desastre em campo. Pior: foi acusado de gaveteiro. O mundo desabou sobre a cabeça do goleiro de 21 anos de idade. Foi até proibido de entrar no Parque São Jorge durante algum tempo. Ficou quase um ano sem vestir a camisa 1.


A chegada de Oswaldo Brandão ao Corinthians foi decisiva para a sua recuperação. Dentre tantos méritos que acumulou ao longo da vitoriosíssima carreira, o técnico era conhecido por tratar seus jogadores como filhos. Era chamado de ‘Paizão’. E o que faz um paizão num momento assim?


Brandão protegeu a sua ‘cria’. Deu um tempo para Gilmar, afastando-o da rotina de treinamentos do time principal, evitando o contato com a torcida e imprensa a fim de poupá-lo da perseguição. E o colocou literalmente dentro da sua família real, levando-o para almoçar e jantar em sua casa, que ficava perto do clube.


Debaixo do braço e do teto do técnico, Gilmar superou a fase de hostilidades, trabalhou como nunca e voltou a vestir a camisa 1 do Timão, ganhando com Brandão o Rio-São Paulo de 1953, quando foi convocado pela primeira vez para a Seleção brasileira, como reserva de Castilho, e o Paulista de 1954. Em 1955, passou a ser titular da Canarinho.


O resto da história está no primeiro parágrafo do texto.



FICHA TÉCNICA


Oswaldo Brandão, libertador corintiano, herói palmeirense

Editora Contexto (2014)

Maurício Noriega

209 páginas