'Seleção nunca vista' é um presente para a memória do futebol nacional



A derradeira dica de livro do ano deveria ser muito caprichada mesmo. E será. ‘Seleção nunca vista’ é um daqueles exemplares que deveriam estar no lugar mais nobre da estante de todo torcedor que ama o futebol.


Não apenas por nos conduzir para dentro da concentração da seleção brasileira em Poços de Caldas, meses antes da primeira conquista de uma copa do mundo, sob a sensibilidade das lentes de um dos grandes mestres do fotojornalismo brasileiro, Antônio Lúcio. Embora por isso já merecesse estar.


Não apenas porque o texto que acompanha as belas e raras imagens foi construído com a leveza e inteligência de um jornalista do quilate de Antero Greco ou porque o livro nos dá uma boa ideia do quanto rico foi aquele período de preparação da seleção nacional antes de conquistar o mundo.


O sentimento que motivou o projeto para publicação do livro também o faz ser bem especial. Filha de Antônio Lúcio, a jornalista Silvia Herrera remexeu caixas e mais caixas abarrotadas de fotografias e negativos em busca do resgate da memória do grande trabalho do pai, e por tabela, do futebol brasileiro.


Correspondente do Estadão, Antônio Lúcio acompanhou o dia a dia dos 33 jogadores inicialmente convocados para a seleção na primeira etapa do meticuloso e competente planejamento da CBD rumo à Copa de 1958. E nos traz imagens que vão bem além dos treinamentos e jogos-treinos realizados antes do embarque para a Suécia.


Como a elegância de um Gylmar de terno e gravata cumprimentando autoridades na chegada a Poços de Caldas ou, com uma faca na mão e touca de cozinheiro na cabeça, ao lado de Bellini, que segura um peru no balcão da cozinha do hotel onde a seleção ficou hospedada.


Ou o olhar fixo de um garoto chamado Pelé, na janela do Circular Poços de Caldas, sem imaginar que faltavam menos de 100 dias para ser coroado como o rei do futebol. Momentos de diversão do grupo, dentro e fora do hotel, dos muitos exames dos atletas ali realizados, tudo captado por Antônio Lúcio.


Antero Greco junta as letrinhas para bem contextualizar aquele que foi o período em que o grupo da equipe nacional, enquanto grupo, ganhou liga, mesmo com todos os jogadores sabendo que dos 33 presentes em Poços de Caldas apenas 22 viajariam representar o país no mundial.


Um momento crucial na preparação dos nossos primeiros campeões revelado ao mundo com muita competência e afeto.


FICHA TÉCNICA


Seleção nunca vista

Antônio Lúcio (foto) e Antero Greco (texto)

Editora Capella (2018)

144 páginas