Seis anos após o Tri, o 'Furacão' varreu a desconfiança e o continente



Não basta o cara ganhar praticamente tudo que disputou, incluindo aí um tricampeonato mundial com a Seleção brasileira em 1970, marcando gol em todos os jogos e sendo o artilheiro de uma equipe que contava com Pelé, tornando-se o ‘Furacão da Copa’. Ele precisa provar o tempo todo e a todos a sua capacidade. Seis anos após o mundial do México, Jairzinho calou aqueles que o chamaram de ‘velho’, ‘farrista’, ‘acabado para o futebol’.


Para muita gente, a carreira de Jairzinho havia acabado após a Copa de 1974. Completava-se ali dez anos de serviços prestados à Seleção brasileira. Sua ida para o Olympique Marseille pouco depois foi considerado aquele momento em que o jogador aproveita o fôlego final para ganhar um bom dinheiro antes de pendurar as chuteiras.


Em 1976, perto dos 32 anos, retornou ao Rio. Matou saudade dos amigos, das peladas, frequentou o Flamengo para fazer alguns treinos físicos e manter o condicionamento. Com a vida organizada financeiramente e a carreira mais que bem sucedida, poderia se dar por satisfeito.


Mas não. Recebeu a proposta para defender o Cruzeiro e brigar por um dos poucos títulos que não constava no seu currículo: a Libertadores da América. Não pensou duas vezes e topou trabalhar com o técnico Zezé Moreyra, para quem sua contratação era essencial para o time chegar ao título.


Fez a mala e se mandou para Belo Horizonte, onde encontrou desconfiança da torcida do próprio Cruzeiro, da imprensa e das piadas dos rivais, que o tratavam como um velho, um ex-jogador em atividade. Brincava-se que Jairzinho conheceria todos os bares e boates de BH antes de botar os pés na Toca da Raposa.

Mesmo sem o vigor e ímpeto que o fizeram ser chamado de Furacão, ele foi desfazendo uma a uma as desconfianças e obrigando muita gente a morder a língua antes de falar de um tricampeão mundial. E foi peça fundamental para uma campanha primorosa da Raposa na Libertadores, começando com um 5x4 sobre o Internacional na estreia.


O Cruzeiro venceu 11 das 13 partidas disputadas. Perdeu apenas uma (o segundo jogo da final, contra o River Plate, em Buenos Aires, por 2x1). Jairzinho entrou em campo em 12 oportunidades, marcando 11 gols (atrás apenas de Palhinha na artilharia). O ‘Furacão’ varreu o preconceito e conquistava o continente.