Quando Mário Sérgio quis sacanear o técnico Didi e se deu mal


Quem conta a história é o escritor e jornalista Maurício Noriega, no livro Rivellino, um perfil do cracaço da seleção brasileira, Corinthians e Fluminense. O ano é 1975, quando o Flu tinha um timaço, não por acaso conhecido como ‘a máquina tricolor’.


Dentre os craques da equipe, o próprio Riva e Mário Sérgio, o então habilidosíssimo camisa 11. No comando das feras, um dos maiores jogadores de todos os tempos, craque da Copa de 1958, nesta época na função de técnico: Didi.


Gozador nato, quase tanto quanto genial dentro de campo, Mário Sérgio tentou aprontar para cima Didi. Durante um treino de finalização, em que o jogador passava a bola para o técnico, que ajeitava e devolvia para o chute a gol, Mário encostou em Rivellino e disse: “Vou foder esse velho. Ele diz que jogou pra caralho, vamos ver se é verdade”.


O camisa 11 meteu várias roscas, usou e abusou do rico repertório de efeitos da sua canhota, na esperança de que o treinador se atrapalhasse no domínio e deixasse a redondinha escapar. Mas, com a sua elegância sobrenatural, Didi matava tranquilamente a bola e a devolvia com açúcar e afeto, como se falava antigamente.


“Que filho da puta, esse velho!”, revoltou-se Mário Sérgio, depois de várias tentativas frustradas. Percebendo que o seu ponta esquerda queria aprontar, o ‘velho’ aproveitou para ir à forra, após ajeitar mais uma:

“Vai cansar, hein, garoto!”, brincou o técnico, para deleite de Rivellino, que mal controlava as gargalhadas.

Didi e Mário Sérgio já estão em outra dimensão, mas quem quiser que ache que eles morreram. Pelo que fizeram com a bola nos pés, pelas histórias que protagonizaram, esses caras são eternos!



FICHA TÉCNICA


Rivellino

Maurício Noriega

Editora Contexto (2015)

208 páginas



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