Quando a lenda Herberger deixou a Alemanha para investigar fenômeno Didi



O senhor engravatado que examina a chuteira de Didi é ninguém menos que o lendário Sepp Herberger, técnico da seleção da Alemanha campeã do mundo em 1954.

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Foi ele quem operou o ‘Milagre de Berna’, quando os alemães conseguiram a improvável virada, após iniciar a decisão da copa perdendo por 2x0, diante da poderosa Hungria, que havia atropelado todos os seus adversários anteriores.

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O time de Puskas e Kocsis havia sido impiedoso, com a própria Alemanha, na primeira fase: 8x3; e deu um baile no Brasil, nas quartas: 4x2. Fazia quatro anos que os húngaros não perdiam até a final de Berna.

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Mas o que fazia aquele senhor, tido como um ícone na reconstrução da autoestima do povo alemão, em frangalhos após o vexame nazista, pegando no pé, literalmente, de Didi?

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Em março de 1959, o Brasil voltava a campo para a disputa do Sul-americano, na Argentina. O time era praticamente o mesmo que levantara a Jules Rimet no ano anterior.

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Dentre os craques, Didi, o craque da Copa de 1958. Sepp não entendia como o brasileiro conseguia, sem esforço, meter em curvas sensacionais em passes milimétricos. A tal da ‘Folha seca’ era algo que passava tão longe da compreensão dos gringos quanto das mãos dos goleiros que tentavam alcançar a bola nas suas batidas para o gol.

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Para tirar suas dúvidas, o alemão embarcou para Buenos Aires e foi conversar pessoalmente com Didi, enquanto o acompanhava durante um treino.

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Segurando firmemente o seu inseparável caderninho de anotações, disparava tantas perguntas quanto fossem necessárias para saciar a sua curiosidade. Ouvia atento, enquanto anotava até a respiração de Didi. Examinava o pé de Didi, a chuteira...

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Não se tem notícia de como o treinador alemão fez uso das informações colhidas junto ao ‘Príncipe etíope’ brasileiro naquele março de 1959.

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Sepp Herberger foi técnico da Alemanha de 1950 a 1964, um dos 20 maiores de todos os tempos, segundo a revista inglesa World Soccer. Era um estrategista como poucos, um dos primeiros técnicos a estudar minuciosamente os seus adversários. Os húngaros que o diga, afinal, ninguém opera milagre à toa.