O pontapé inicial da história de Bellini, o primeiro capitão campeão


Em 1952, partiu de São João da Boa Vista (SP), onde envergava a camisa do Sanjoanense, com destino à Capital Federal. Era mais um caso de um garoto bom de bola do interior, cujas habilidades dentro de campo chamava a atenção de olheiros, e estes o levavam para um grande clube. Algo que já havia acontecido dezenas e dezenas de vezes, antes dele, e voltaria a acontecer outras centenas.


Aos 22 anos, Bellini chegou ao Vasco da Gama para iniciar a sua história no futebol brasileiro - e que história! Zagueiro firme, daqueles que nunca, em hipótese alguma, brincava em serviço, exímio cabeceador, e com um senso de liderança que saltava à vista, chegou já brigando para ser titular. Alternou com Haroldo uma vaga de beque no time que se sagraria campeão estadual de 1952.


Depois dos vascaínos assistirem a contragosto o rival Flamengo ser tricampeão, Bellini assumiu de forma inquestionável e definitiva a condição de titular da zaga cruz de malta. Mais do que isso, titular e capitão da equipe que acabaria com a hegemonia rubro-negra, num briga acirrada com o Fluminense, faturando o título de 1956.


Campeão, titular e capitão no seu clube, chegava a hora do zagueirão iniciar a sua história na seleção brasileira. Ele estreou no dia 13 de abril de 1957, sem direito a amistoso. Era jogo valendo, e muito. Era jogo de Eliminatórias para Copa da Suécia, diante do Peru, em Lima. Além disso, o time nacional vinha de um recente fracasso no Sul-americano e trocara de técnico em cima da hora.

Dez dias antes de iniciar a briga por uma vaga no Mundial de 1958, o Brasil havia sofrido uma goleada para a Argentina (3x0) e dado adeus à possibilidade de título no Campeonato Sul-americano, que também havia sido disputado em Lima. Osvaldo Brandão foi demitido e Flávio Costa assumiu a seleção brasileira. O novo técnico sentiu a necessidade, dentre outras, de renovar e reforçar o seu sistema defensivo.


Bellini foi escolhido e fez uma partida segura no Estádio Nacional. O placar de 1x1 dava ao Brasil a chance de decidir sua classificação em casa, precisando apenas de uma vitória simples, na semana seguinte. O zagueirão repetiu a ótima atuação, desta vez, estreando no Maracanã com a camisa da seleção. A vitória e o carimbo no passaporte para a Suécia vieram com um gol de Didi, numa folha seca perfeita, indefensável.


Aprovado com honras e sem questionamento nos testes de fogo com a camisa amarela, Bellini iniciava a sua história na seleção e, pouco mais de um ano depois, entraria para a história da seleção e do futebol mundial durante a Copa de 1958. Mas este capítulo da vida de um dos maiores zagueiros brasileiros fica para outra postagem.


Fica a dica de leitura para quem quiser saber mais: Bellini, o primeiro capitão campeão, de Giselda Bellini, é um relato da sua esposa, que resolveu transformar em livro lembranças, fotos, documentos, reprodução de jornais e revistas, além de depoimentos de ex-companheiros, com direito a um prefácio de Pelé. Um material riquíssimo sobre um personagem sensacional do futebol.


Foto acima: Acervo da família publicado no livro



FICHA TÉCNICA


Bellini, o primeiro capitão campeão

Giselda Bellini

Editora Prata (2015)

208 páginas