O dia em que o juiz expulsou Pelé e a torcida expulsou o juiz



O mais insólito jogo disputado por Pelé.

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Aconteceu há 52 anos, na noite de um dia 17 de julho de 1968, no estádio El Campin, em Bogotá. O Santos dava mais um giro pela América do Sul e, dentre os compromissos, um amistoso contra a seleção colombiana que se preparava para os Jogos Olímpicos do México.

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No apito, um juiz da casa: Guilhermo “El Chato” Velásquez.

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Perto do final do primeiro tempo, Pelé caiu na área e pediu pênalti. Velásquez mandou o jogo seguir, mas passou a ouvir um rosário de palavrões do camisa 10 santista.

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O juiz, então, parou o jogo. Ele não falava português, mas sabia o significado de cada uma das palavras pouco elogiosas que lhe foram destinadas. Voltou para o Rei e o expulsou.

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Os santistas foram para cima de Velásquez. A polícia colombiana não conseguiu conter as agressões, especialmente do argentino Ramos Delgado e seu companheiro de zaga Oberdan. O juiz saiu de campo carregado.

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Mas a violência não se limitou ao campo. Na arquibancada, os torcedores protestavam ferozmente. Não pelas agressões, mas pela expulsão de Pelé. Eles tinham ido ver o maior de todos os tempos, não a seleção colombiana.

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Entrou em campo o ‘jeitinho’ colombiano. Alfonso Senior, presidente do Milonarios, clube anfitrião da peleja, deu uma missão ao capitão da seleção ‘El Burrito’ González: ir ao vestiário santista e avisar a Pelé que ele poderia retornar ao gramado.

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Enquanto isso, o empresário responsável pela realização da partida, Antonio Patiño Binazco, e diretores da Federação Colombiana cumpriam uma outra diligência.

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Eles se dirigiram ao vestiário dos árbitros e ordenaram ao bandeirinha Omar Delgado que assumisse a função de juiz.

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Delgado cumpriu a determinação, voltou ao campo e deu continuidade ao jogo. E com Pelé no gramado. A expulsão do Rei havia sido revogada.

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Para a alegria dos torcedores colombianos que viram Pelé marcar um dos gols do Peixe na vitória por 4x2.