O começo do melhor de todos os tempos numa tabelinha tipo Pelé-Coutinho


“Não sei quantas vezes pulei gritando “Gol!”, feito um louco. Precisava desabafar aquela alegria que ia dentro de mim. Chorei, quando me vi quase sufocado pelos abraços dos meus companheiros. Acho que posso dizer que foi aquele o ‘meu gol inesquecível’, pois ele foi decisivo para a nossa seleção, naquela tarde”.


As aspas acima são de Pelé. Não o Pelé de hoje, o de 1961, referindo-se ao gol marcado contra o País de Gales, três anos antes, no Mundial da Suécia. Gol que levou a seleção à semifinal contra a França, abrindo caminho para o Brasil conquistar a sua primeira copa. Gol que apresentou ao planeta da bola o seu novo e vitalício rei, um garoto de apenas 17 anos.


O texto faz parte do livro Eu sou Pelé, lançado em 1961, uma autobiografia do maior jogador de todos os tempos quando ele ainda não o era. Até aquele momento, ele tinha sido campeão do mundo “apenas” uma vez (para quem tem três Copas pela seleção brasileira e dois Mundiais Interclubes pelo Santos, uma é apenas mesmo!).


Eu sou Pelé foi escrito pelo então repórter esportivo do jornal Última Hora, Benedito Ruy Barbosa, que com pouco tempo de estrada recebeu a benção divina de poder acompanhar de perto o início da carreira daquele garoto e dele se transformar em amigo. De tanto ouvir as suas histórias o hoje dramaturgo e escritor propôs a Pelé transformá-las em livro.


Em setembro de 1961, Pelé deu os seus primeiros autógrafos em um livro, escrito em primeira pessoa, de acordo com Benedito, a fim de tentar preservar ao máximo a riqueza da narrativa de vida do filho de Dondinho, nascido em Três Corações, criado em Bauru, um ex-engraxate que, em Santos, brilhou para o mundo.

Mas esta postagem não é apenas (novamente ele, o apenas!) sobre essa obra prima, relíquia, de Benedito Ruy Barbosa, da qual voltaremos a falar em diversas outras situações. Quando se fala em Pelé, sempre é possível melhorar. Em 2011, a Editora Magma Cultural lançou o livro Primeiro Tempo com o intuito de tornar público o acervo pessoal do fotógrafo José Dias Herrera, doado ao próprio Pelé.


Herrera, cujo currículo inclui passagens pelas redações de O Diário, A Tribuna, O Cruzeiro, Gazeta Esportiva, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, acompanhou o início da carreira de Pelé como poucos marcadores chegaram perto de fazer. De 1956, quando ele desembarcou na Vila Belmiro, a 1960, o fotógrafo registrou raros momentos do craque do Santos.


Pois bem, Primeiro tempo reúne aproximadamente 200 fotos de Pelé, várias inéditas, e faz uma tabelinha com o texto de Benedito Ruy Barbosa em Eu sou Pelé. Está achando que não pode melhorar? A edição traz ainda depoimentos atualizados do próprio rei e de outras feras do futebol mundial como Franz Beckenbauer, Tostão, Rivellino, Pepe, Carlos Alberto Torres, entre outros, além de figuras como Henry Kissinger, Jô Soares, João Havelange.


Se tinha uma boa dica de livro para fazer nesta semana, o Blog 12 Gomos fez com a certeza absoluta de que não existe perigo de alguém discordar. Uma dica à prova de zebras!

Viva Benedito, Viva Herrera, Viva Pelé! Sempre.



FICHA TÉCNICA


Primeiro tempo, o início da trajetória de Pelé com imagens e depoimentos inéditos

Editora Magma Cultural (2011)

Textos de Benedito Ruy Barbosa e fotografia de José Dias Herrera

320 páginas