Lambança da CBD, Pelé e como surgiu a mística da camisa 10



A seleção brasileira estreou na Copa da Suécia de 1958 com o goleiro Gilmar com a camisa número 3, o lateral Nilton Santos com a 12, o meia Didi com a 6, e o ponta direita Garrincha com a 11. Tudo porque os dirigentes da confederação brasileira cometeram a lambança de inscrever os jogadores para o mundial sem determinar um número para cada um. Coube a um dirigente uruguaio que estava na sede da Fifa, e que não conhecia os atletas, distribuir os números aleatoriamente.


Bom, como se sabe, em nada isso interferiu no resultado final da competição: a primeira copa do mundo conquistada pelo Brasil. O impressionante da história é que neste “sorteio” das camisas, o número 10 foi parar nas costas do então reserva Pelé, o mesmo que ele já usava no Santos e com o qual tornara-se por duas vezes artilheiro do campeonato paulista.


Mas apesar da estrondosa expectativa gerada em torno daquele prodígio, tratava-se de um garoto de 17 anos, ainda uma promessa, tanto que só deixou de esquentar o banco a partir da terceira partida do Brasil.

No frigir dos ovos, não foi Pelé quem escolheu a camisa 10. Foi a camisa 10 que escolheu Pelé.

Nascia ali, a mística da camisa 10, por tudo que o Rei fizera em gramados suecos naquela copa, faria em outros campos pelo planeta dali em diante e teria feito se jogasse na lua (sim, ele daria um jeito de se adaptar a uma gravidade seis vezes menor do que a da terra!).


Mas se, por um acaso, já que estamos falando de casualidade, destino e imprevisibilidade, a CBD tivesse feito o que deveria fazer, a 10 seria de Didi. Pela sua posição e titularidade inquestionável: era o melhor jogador da seleção, tanto que terminou a copa eleito como o craque da competição. Pelé vestiria talvez a 18, a 19, e os jornalistas André Ribeiro e Vladir Lemos não tivessem escrito o ótimo livro A magia da camisa 10, de onde esta história contada acima saiu.


E tem diversas outras histórias, sobre os pioneiros e os herdeiros desta magia da camisa 10, envolvendo inclusive os que vestiram outros números, como Cruyff e sua inestimável camisa 14. De A magia da camisa 10 voltaremos a falar mais adiante, um bocado de outras vezes. Merece e muito a leitura.