Há 62 anos, o maior Santos e Palmeiras de todos os tempos



Há quem diga que foram quatro, dois no Pacaembu e dois no pé do rádio. Há quem garanta que três torcedores enfartaram naquela noite de quinta-feira. Dúvidas não há, no entanto, de que Santos 7x6 Palmeiras, em 1958, foi o mais sensacional da história do clássico. O jogo cheio de viradas sensacionais, válido pelo Torneio Rio-São Paulo, completará 62 anos na próxima sexta, dia 6. Por ironia, dias depois do Peixe e do Verdão se enfrentarem num enfadonho 0x0.


Até os 19 minutos do primeiro tempo, os mais de 43 mil torcedores presentes no Pacaembu não gritaram um golzinho sequer. Aos 20, Urias fez o lado verde da arquibancada explodir de alegria. Por muito pouco tempo. Na batida do centro, Pelé, um garoto de 17 anos que três meses depois, bem longe dali, seria coroado Rei do futebol, deixou tudo igual.


Aos 25, Pagão virava o jogo pela primeira vez. Um minuto depois, ficou tudo igual de novo no placar com Nardo fazendo o seu. Passaram-se seis longos minutos sem que ninguém vibrasse. Depois só deu Santos. Dorval, aos 32, Pepe, aos 38, e Pagão, aos 44, fizeram o Peixe disparar no placar antes do apito final do primeiro tempo.


Os jogadores do Palmeiras desceram para os vestiários acabados. Lá em baixo, ouviram poucas e boas do técnico Oswaldo Brandão. Além de cutucar os brios dos palmeirenses, o Mestre arrumou o seu time para buscar a reação, que poderia significar perder de pouco. Talvez, quem sabe, um empate. Ninguém era louco de cogitar a virada.


Muito menos os santistas que voltaram para o gramado acreditando que a vitória já estava no papo. Nem mesmo o gol de Paulinho, aos 16, mudou o panorama. Foi preciso que Mazzola, três minutos depois, marcasse o quarto do Verdão para que o adversário acordasse. Mas não adiantou muito porque o time de Brandão estava voando em campo.


O empate veio com mais um de Mazolla, aos 27. Aos 34, Urias, que marcara o primeiro, faria outro, o da improvável virada palmeirense: 6x5. "Milagre no Pacaembu. Estamos testemunhando o maior espetáculo que já vi no futebol", berrou o narrador Edson Leite no microfone da Rádio Bandeirantes, sem imaginar o que os minutos finais daquela partida poderiam ainda reservar.


Pepe, que fazia uma das suas melhores apresentações com a camisa do Santos, voltaria a balançar a rede aos 40, empatando o jogo, e, aos 42, botaria o time da Vila na frente do placar na terceira virada daquele inacreditável clássico: 7x6.

Importante registrar um detalhe. Naquele 6 de março de 1958, nem o Santos nem o Palmeiras eram (ainda) supertimes. O Peixe, que após a histórica vitória, perdeu as seis partidas seguintes, acabou apenas na sétima colocação do Rio-São Paulo, com sete pontos em nove jogos disputados. A equipe estava sendo montada para se tornar uma das mais espetaculares da história do futebol.


O Verdão, idem. Terminou o torneio regional na oitava colocação, um ponto a menos que o Santos (o Vasco foi o campeão, com o Flamengo sendo vice). Um mês depois do clássico, Mazolla se despedia do clube numa transferência milionária para o Milan. Com os cofres abarrotados, os palmeirenses iniciaram a montagem da sua fantástica Academia, a primeira.