Há 50 anos, o craque Tostão viveria o seu maior drama no futebol


Era um jogo pela primeira fase da Taça Brasil de 1969, no dia 24 de setembro. Mais de 48 mil torcedores do Corinthians deixaram as suas casas à noite e lotaram o Pacaembu. Do outro lado, o Cruzeiro, de Tostão, craque da seleção brasileira que, menos de dois meses antes havia feito de tudo um pouco nas Eliminatórias para a Copa do México, inclusive, muitos gols: 10 no total. Foi o artilheiro. O 9 do Cruzeiro vivia o seu melhor momento da carreira. Mas naquela noite, viveria o seu maior drama.


“Corri atrás da bola, escorreguei e caí junto com ela. Ditão rebateu com toda força, e a bola molhada chocou-se contra o meu olho esquerdo. Se ele fosse um craque, daria um toque para o lado, sairia com a bola, mas não teve nenhuma intenção de me atingir. Fiquei tonto, tentei continuar, mas logo saí”. Escreveu o craque cruzeirense no livro Tostão – Lembranças, opiniões, reflexões sobre futebol em relação ao lance.


Diagnóstico: descolamento da retina. A ida de Tostão à Copa de 70 estava seriamente ameaçada. A sua carreira e a sua visão, também. O craque da seleção embarcou para Houston, no Texas, e no Hospital Metodista foi operado pelo dr. Roberto Abdala Moura, médico mineiro que trabalhava há anos nos EUA.


A cirurgia foi um sucesso, mas muitas dúvidas sobre se haveria tempo necessário para a sua total recuperação até o mundial pairavam no ar. E mesmo com o então técnico da seleção brasileira João Saldanha garantindo que esperaria Tostão, no vestiário, até minutos antes da primeira partida da copa, o atacante viveu momentos de angústia.


Não tivesse sido derrubado do comando da seleção brasileira há cerca de três meses da estreia em Guadalajara, Saldanha não precisaria esperar tanto para contar com o seu camisa 9 preferido. A recuperação, apesar de alguns sustos, foi excelente, assim como a operação. E Tostão pode ser uma das peças fundamentais da seleção mais extraordinária a ganhar uma copa.


O problema gerado pela bolada na noite de 24 de setembro de 1969, no entanto, o faria encerrar a carreira prematuramente, aos 26 anos de idade, em 1973.


Em tempo: sobre a Taça Brasil de 1969, o Corinthians e o Cruzeiro chegaram à fase final, juntamente com Palmeiras e Botafogo. Por ironia do destino, o alvinegro paulista foi para a última rodada precisando de uma vitória sobre os cruzeirenses, no Mineirão, para ficar com o título, independentemente do placar da outra partida.


O Cruzeiro, mesmo sem o seu maior jogador, que se recuperava da cirurgia, venceu por 2x1, resultado que, aliado à vitória por 3x1 sobre o Botafogo, deu o título da competição ao Palmeiras.


* Foto acima publicada no livro Tostão - Lembranças, opiniões e reflexões sobre futebol



FICHA TÉCNICA


Tostão - Lembranças, opiniões e reflexões sobre futebol

Editora DBA (1997)

168 páginas