Em 1958, Manchete Esportiva fez cracaços abrirem seus corações



“Desde que estudava Jane cismou com Zizinho, antes muito antes de êle ser um nome que a gente toma fôlego para falar. O pai de Jane não era homem de aceitar para a sua filha um jogador de futebol. Reforçava o argumento apresentando o desnível de idade. Zizinho insistiu. Teve um pega com o velho de Jane que ficou famoso em Niterói. Zizinho acabou vencendo e conquistou, como um espadachim medieval o coração da amada.”

Em fevereiro de 1958, a Manchete Esportiva trouxe a matéria ‘O amor também usa chuteiras’, mostrando a importância que tiveram as esposas de grandes craques, do quilate de um Zizinho, de um Didi e de um Castilho, nas suas carreiras.


“Durante anos, Guiomar foi uma incógnita. As más línguas apontavam-na como causadora das irregularidades de produção de Didi. Iam mais longe, diziam que Guiomar queria explorar o grande craque, deixa-lo na miséria. O tempo mostrou que não. Guiomar sempre orientou Didi para o bom caminho (...)”.

Contextualizando, Didi havia conhecido Guiomar numa ‘estação de televisão’, como conta a ME. No caso, era uma cantora, que se vestia de odalisca no programa de Ary Barroso. O craque da bola virou a cabeça pela belíssima mulher, separou-se da primeira esposa, com quem tinha filhos, e foi constituir nova família com Guiomar. Escândalo nacional.


O craque compositor expressou mais do que a perda de uma integrante do seu programa escrevendo o samba ‘Risque’, no qual suplicava para que o seu nome fosse riscado do caderninho de endereços da moça.


“Castilho era boa pinta e solteirão. No Fluminense muitos brotos iam vê-lo treinar. Depois pediam autógrafos. Houve uma môça que se destacou das demais. Castilho namoro-a e entendeu que casando resolveria vários problemas ao mesmo tempo. Levou Vilma ao altar. Sua esposa provou então como acertada foi a sua escolha”.

Nas muitas vezes em que esteve numa mesa de cirurgia, o goleirão esteve sempre de mãos dadas com Vilma. A exemplo de Zizinho, atribuia à esposa o segredo da sua longevidade dentro de campo.


“Virei um homem ‘caseiro’, pude ler mais, dividi o meu tempo melhor e organizei-me fisicamente (...). Se tenho a infelicidade de realizar uma peleja desastrosa ela sabe como me entusiasmar”, confirmou o então camisa 1 do Fluminense e da seleção brasileira.

“Desde que resolvi a minha situação (desquite com a espôsa) sou um homem tranquilo, jogo e rendo muito mais, tenho a cabeça no lugar, sei que sou dono de um lar (...). Diziam que eu não era nada, que eu não gostava de jogar no Fluminense. Nada disso. Sempre procurei dar o meu máximo, mas meus problemas particulares roubavam-me a minha calma, e sem calma quem é que produz.”

Didi passou a produzir mais. Menos de cinco meses depois da declaração à Manchete Esportiva, tornava-se campeão mundial pela seleção brasileira e era aclamado o melhor jogador da Copa da Suécia, mesmo tendo a equipe nacional os iluminados Pelé e Garrincha.


“Você não sabem o que é a gente jogar esmagado pelos problemas particulares. Minha mulher é um exemplo de dedicação (...). Comecei a namorá-la muito cedo, Jane não tinha 15 anos. Sempre foi a mesma”, endossou as palavras de Didi, Zizinho, também eleito melhor de uma copa do mundo, a de 8 anos antes.