Deu na Placar: os preparativos para a final da Taça de Ouro de 1981



A edição de número 752 da revista Placar trouxe matérias especiais falando da grande decisão da Taça de Ouro, o Brasileirão daquela época. Era o confronto de dois técnicos dentre os melhores da história do futebol brasileiro e que buscavam o bicampeonato nacional: Carlos Alberto Silva, que havia levantado a taça pelo Guarani, em 1978, e Ênio Andrade, campeão pelo Internacional no ano seguinte.


Era também o duelo do time teoricamente com maior qualidade técnica, tido como favorito pela própria Placar, o São Paulo, contra a equipe que, após um início irregular, se refez durante a competição com a chegada de alguns reforços e, na base da superação, avançou até a grande decisão.


Os paulistas mostraram poder de fogo desde o início. Terminou a primeira e a segunda fases como líder do grupo e passou fácil pelo Santos, na terceira, e pelo Inter, nas quartas de final. Sentiu-se ameaçado apenas na semi, quando perdeu a primeira partida para o Botafogo, no Maracanã, por 1x0, e precisou fazer 3x2, no Morumbi, para chegar à final.


O tricolor gaúcho trilhou o caminho inverso. Foi apenas o quarto colocado no grupo B da primeira fase, atrás de Portuguessa, Operário (MS) e Goiás. Na fase seguinte, ficou em segundo, atrás do próprio São Paulo, tendo inclusive levado um 3x0 do time de Carlos Alberto. Passou sufoco contra o Vitória para se garantir nas quartas. Foi quando engrenou: bateu duas vezes o Operário, nas quartas, e a Ponte Preta, na semifinal.


As entrevistas dos jogadores e técnicos na Placar indicavam esse favoritismo são-paulino. O ponta esquerda Renato Sá não escondia que o Grêmio tinha que impor sua força no Olímpico e chegar à vitória para, no Morumbi, “arrumar um empate de qualquer maneira”. Enquanto que o técnico Carlos Alberto Silva falava em deixar o time jogar solto.


Mas futebol é futebol e o que se viu nos dois jogos da decisão foi outra coisa. O Grêmio se impôs no Olímpico, após Serginho fazer 1x0 no primeiro tempo, reagindo no segundo com dois gols de Paulo Isidoro. E dentro do Morumbi também, onde o artilheiro Baltazar marcou o único gol do jogo aos 20 do segundo tempo. A festa foi do tricolor dos pampas.


Revista Placar, edição 572, 01/maio/1981