Deu na Placar: Escanteio era 'meio gol' com Éder, no início dos anos 1980



Poucas vezes na história do futebol brasileiro o escanteio gerou tanta apreensão para uns e esperança para outros como no início dos anos 1980. Independentemente de um exímio cabeceador estar ou não dentro da área adversária. Fosse com a camisa 11 do Grêmio, do Atlético-MG ou da seleção brasileira, quando o ponta esquerda Éder se dirigia para a esquina do campo era sinal de que algo pouco provável de acontecer, acontecesse.


“É meio gol”, exageravam os locutores, como conta a matéria da Placar edição 572, de 1º maio de 1981. Apesar dos seus 23 anos de idade, Éder já era considerado um mestre nas cobranças de córner e na revista ele deu dicas de como bater na bola, como: “Eu recuo seis passos, numa reta quase perpendicular à linha de fundo, para sentir a força e o efeito que vou dar à bola”.

O ponta esquerda colecionava gols olímpicos. Até então, ele havia marcado cinco vezes em cobranças diretas de escanteios. E dos foguetes cheios de curva que disparava e não iam parar nas redes adversárias, muitos explodiam nas traves e travessão, ou nas luvas do goleiro, gerando rebotes recheados de açúcar para um companheiro empurrar para dentro do gol.


Segundo levantamento da Placar, de 1977 a 1981 ele havia acertado as traves 15 vezes em suas cobranças venenosas. Tudo começou no Grêmio, onde marcou duas vezes. O ponta treinava 120 batidas de escanteio por semana. O seu grande incentivador foi o técnico Telê Santana, quando dirigiu o tricolor gaúcho em 1977.


Três anos depois, Éder se transferiu para o Atlético-MG e em uma temporada fez mais três gols olímpicos. Não apenas por suas cobranças de córner, Éder terminou sendo convocado para a seleção brasileira e reencontrou Telê. Como conta a matéria da Placar, poucos técnicos estimulavam o treino específico de batidas de escanteio.


Uma das poucas exceções era Jorge Vieira. No Corinthians, em 1979, trabalhou bastante as cobranças fechadas e com efeito do ponta direita Píter pela esquerda e do canhoto Wilsinho pela direita. Assim como no Palmeiras, com a inversão de Baroninho e Jorginho para a batida com o lado de dentro do pé. Muito gols, mesmo que não olímpicos, surgiram deste treinamento.


De acordo com o levantamento da equipe de repórteres da Placar que assina a matéria, os primeiros grandes cobradores de escanteio no país foram o palmeirense Montavani, que em 1946 marcou dois gols olímpicos em cima da Portuguesa Santista e Garrincha, que teria marcado quatro ou cinco vezes.

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