Deu na Placar: A melancólica despedida de um craque nacional


“Vinte minutos do segundo tempo. O Cruzeiro vai ganhando do Uberlândia por 2x1 e o árbitro Aldenir Vieira Matos paralisa o jogo para abraçar Dirceu Lopes. Silêncio profundo e respeitoso. O estádio inteiro fica de pé para viver um dos momentos mais emocionantes e tristes do futebol brasileiro. Dirceu Lopes, o craque que Tostão classifica como o mais importante no grande time do Cruzeiro na década de 1960, está deixando o futebol”.


Assim começa o texto do jornalista Luiz Gonzaga na página 12 da edição 504 da revista Placar, que chegou às bancas no dia 21 de dezembro de 1979. Um relato melancólico, e não por acaso, da despedida de um dos grandes craques do futebol nacional. Uma despedida minúscula para um gigante. Nada de Mineirão lotado, com a camisa do Cruzeiro, num amistoso repleto dos maiores jogadores brasileiros da época.


Dirceu Lopes estava com 33 anos e defendia o Uberlândia. Mesmo nos últimos suspiros da carreira, levara o time do interior mineiro a uma campanha sensacional naquela temporada, com 34 vitórias, 20 empates e 18 derrotas, como relata o texto da revista. A Raposa, na despedida do seu ex-craque, estava como mero visitante, convidado numa festa que deveria ser anfitrião. Limitou-se a entregar uma placa comemorativa.


Além da dor por encerrar uma trajetória abarrotada de triunfos, a pouca importância dada naquele momento, não apenas pelo Cruzeiro, mas também pelos seus ex-companheiros e amigos que fez no futebol, ajudaram a acelerar a respiração e as lágrimas a rolar pelo rosto. Apenas Piazza, dentre tantos convidados ilustres como Pelé, Clodoaldo, Gérson, Palhinha, apareceu.

“A presença de Piazza valeu por todos eles. Piazza é gente”, balbuciou.

Até o grande amigo Tostão levou falta. “Pensei que ele fosse atender ao meu convite. Deve ter tido algum problema. De qualquer forma, eu gosto muito dele”, lamentou, frustrado, o jogador que nos 17 anos de carreira cansou de ser campeão mineiro, venceu campeonato brasileiro, Libertadores e foi vice-mundial interclubes. Bola de Prata da Placar, premiação para os melhores de cada posição, foram três: 1970, 1971 e 1973.


Revista Placar, edição 504, 21/dez/1979