Deu na Placar: A finalíssima do Brasileiro e supremacia colorada nos anos 1970


O Vasco, de Oto Glória e Roberto Dinamite, abusando do otimismo. O Internacional, de Ênio Andrade e Falcão, sem tirar os pés do chão. Foi como a edição 504 da revista Placar apresentou a preparação dos dois times para a grande decisão do Campeonato Brasileiro de 1979.


“Vou ser campeão e artilheiro”, apostava o atacante Roberto, com dez gols na competição, dois a menos que Roberto César, do Cruzeiro. “Sabe o que eu vou fazer? Vou enlouquecer aquela defesa com meus passes e meus lançamentos”.

Sobre o confronto com os colorados, o artilheiro também não economizava. “Vamos partir para cima do Inter com aquele espírito de competição do Vasco, nas decisões”. O técnico era mais contido, reconhecia a qualidade do adversário: “É um excelente time, com um excelente meio de campo”.


Mas não deixava de sonhar alto: “E vou parar aquele meio de campo. Falcão, então, nem quero pensar. Não vamos deixá-lo andar em campo”. Para Oto, o roteiro estava pronto para os dois jogos da decisão. No primeiro, no Maracanã, o Vasco seria todo ataque, para encurralar o adversário e fazer um bom resultado. Na volta, no Beira Rio, apostar na retranca e contra-ataque.


No Inter, era impossível não demonstrar, de certa forma, o otimismo. O clube havia conquistado o título em 1975 e 1976. “Chefe, agora ninguém mais ganha da gente”, como soltou o atacante Valdomiro, num abraço no técnico, logo após a classificação para a final. E chegava à decisão invicto: 15 vitórias e seis empates.


Mesmo assim, Ênio Andrade preferia a estrada da humildade. Exaltava o trabalho de Oto Glória à frente dos vascaínos e elogiava uma nova forma do atacante Roberto Dinamite jogar, recuando para receber o jogo e lançar os companheiros na cara do gol. O treinador gaúcho sabia também que Falcão teria uma marcação pra lá de reforçada.


Foi assim na semifinal contra o Palmeiras, quando Telê Santana botou Pires e Mococa para colar no meia colorado. “Mesmo assim, Falcão encontrou espaço para jogar nas costas dos laterais, que subiam”, ressaltou Ênio, com a certeza de que o craque o Brasileirão, mais uma vez, saberia achar o caminho para conduzir a equipe ao título.


Para chegar à decisão, o Inter superou o Palmeiras, no Morumbi, por 3x2, com dois gols de Falcão, e empatou em Porto Alegre em 1x1. O Vasco empatou com o Coritiba em 1x1, no Couto Pereira, e venceu no Maracanã por 2x1, gols de Roberto e Paulinho.


Apesar do otimismo vascaíno, só deu Internacional nos dois jogos finais da competição, confirmando o retrospecto de uma campanha impecável. No Maracanã, Chico Spina, que substituiu Valdomiro, fez os dois gols da vitória gaúcha. No Beira Rio, nova vitória do Inter, com gols de Jair e Falcão. Wilsinho descontou.


Era o tricampeonato brasileiro dos colorados. E desta vez, invictos!


Revista Placar, edição 504, 21 de dezembro de 1979