Chegou julho, mês de homenagear João Saldanha, o João Sem Medo



Entramos no mês de julho. Hora de homenagear João Alves Jobim Saldanha, João Saldanha, ou João Sem Medo, como apelidou seu amigo Nelson Rodrigues. No dia 3, ele faria 102 anos. Faleceu durante a cobertura da Copa de 1990, cuja participação como comentarista da Rede Manchete havia sido desaconselhada pelos médicos que cuidavam da sua saúde já debilitada. Os 83 anos de vida deste jornalista esportivo, escritor, técnico de futebol e comunista, literalmente, de carteirinha foram tão intensos quanto autênticos. É inestimável a herança que deixou para o futebol brasileiro.


Ao contrário de outros ícones da crônica e literatura esportiva da dimensão de um Mario, de um Armando ou de um Nelson, João foi além das laudas e microfones. Botou a mão na massa pra valer, entrou em campo. Sua participação como técnico de futebol começou nos juvenis do Atlético Paranaense, passou pelo glorioso Botafogo de Nilton Santos, Didi e Garrincha, campeão carioca de 1957, e findou na seleção brasileira, a maior de todos os tempos, formando a base e classificando-a para ganhar o título da Copa de 1970.


Explosivo e crítico feroz dos bastidores do futebol e da situação política brasileira em pleno regime do chumbo, seria pouco provável que ele continuasse no comando da seleção que se preparava para ir buscar no México algo além da Jules Rimet. Na primeira oportunidade, seria demitido, como foi.


“Quando ele (Médici) formou o Ministério não me pediu opinião. Por isso, não quero a opinião dele na hora de eu formar o meu time”, disparou João sobre os insistentes pedidos do general para convocar Dario, Dadá Maravilha. “Na verdade, ele não queria era ver um comunista no comando da seleção”.

Há controvérsias se este foi o motivo, ou um dos motivos da saída de Saldanha. O certo é que Emílio Garrastazu Médici terminou dando ao jornalismo esportivo, de forma definitiva, o seu comentarista mais incisivo, que seguiu explosivo e crítico feroz dos bastidores do futebol e da situação política brasileira em pleno regime do chumbo. Expôs como poucos, até então, o lado podre do futebol, como a corrupção nos clubes e nas federações. Sem medo.


Ao contrário de outros ícones da crônica e literatura esportiva da dimensão de um Mario, de um Armando ou de um Nelson, João escrevia e falava usando expressões dos torcedores da geral. A irreverência e o deboche, também. O que justifica a sua maior popularidade. Foi o maior comunicador que a crônica esportiva conheceu. E é dele, e de suas obras, que o Blog 12 Gomos destacará no mês de julho.