Biografia de Telê: Como nasceu o apelido Fio de Esperança


Seis anos encharcando de suor a camisa 7, sendo o ponteiro dos segundos na nova medida de tempo do futebol, como escreveu Mario Filho, assumindo cada vez mais a condição de líder do time e cérebro do meio de campo, especialmente após a saída de Didi, fez de Telê um jogador muito respeitado no Rio.


Os apelidos relativos à sua constituição física, que antes eram motivos de piadas, passaram a ser considerados inapropriados, desproporcionais para a dimensão que o falso ponta direita havia atingido na carreira. O ano era 1957. Incomodado que Telê ficasse marcado como Tarzan das Laranjeiras, ou Fiapo, o dirigente Benício Ferreira propôs ao amigo Mario Filho, na época editor do Jornal dos Sports, que organizasse um concurso para dar um novo apelido, mais respeitoso e decente, para o jogador.


O slogan “Dê um apelido a Telê Santana e ganhe 5 mil cruzeiros” apareceu no Jornal dos Sports e causou um frisson no Rio. Tanto que outros veículos como Última Hora, Manchete Esportiva e Diário da Noite, encamparam a proposta e passaram a fazer parte do concurso, que atingiu mais de quatro mil inscrições.


‘Feiticeiro’, ‘Mago’ e até ‘Gafanhoto de Ouro’ estavam entre as milhares de sugestões de apelidos inscritos. Mas outros três foram escolhidos como vencedores, rendendo a cada autor a importância de Cr$ 1.666,00. Eram eles ‘El Todas’, ‘Big Bem’ e ‘Fio de Esperança’, o vencedor, exatamente por representar o sentimento do torcedor do Fluminense quando Telê, aquele que nunca se entregava, que mantinha viva, acesa, a mínima chance de vitória, estava em campo.


Além de casar perfeitamente com as características do jogador, o novo apelido teve como inspiração o título de um filme de muito sucesso na época, estrelado por John Wayne, e vencedor de sete Oscars: ‘Um fio de esperança’.



SAIBA MAIS


Biografia de Telê: De goleiro frangueiro à invenção do novo camisa 7



FICHA TÉCNICA


Fio de esperança, biografia de Telê Santana

André Ribeiro

Editora Gryphus (2000)

476 páginas