A precoce e genial chegada do garoto Caburé ao Atlético Mineiro


Recém-chegado em Belo Horizonte, Caburé foi para o seu primeiro treino no centro de treinamento do Atlético, que estava começando a ser construído e contava apenas com campos de futebol e um pequeno vestiário. Apesar dos 14 anos, fora convidado para fazer teste já para o juvenil do Galo.


A fama de craque precoce que trazia da pequena Ponte Nova justificava o pulo na categoria e algumas ousadias, como a do seu primeiro treinador, Barbatana, que dias antes havia dirigido o seu carro até o interior mineiro para trazer aquela joia rara das Minas Gerais.


Durante um treino da equipe profissional com a do juvenil, Barbatana pediu autorização a Telê Santana para, nos minutos finais, colocar em campo um garoto do interior que falavam maravilhas. O técnico do time principal consentiu. Caburé entrou e fez com os titulares do Galo, que viriam a ser campeões do Brasileirão daquele ano, o que fazia com os meninos da sua idade e um pouco mais velhos, em Ponte Nova: entortou um pra cá, outro pra lá, meteu a bola entre as pernas do adversário uma vez, duas vezes.


Claro que tamanho abuso não passaria impune. Jogadores como Grapete, considerado melhor zagueiro de Minas e jogador de seleção brasileira, e Vantuir não toleraram as diabruras daquele garoto e esqueceram por alguns instantes que se tratava, de fato, de um garoto de 14 anos, baixinho e franzino. O primeiro tentou uma voadora, mas não conseguiu acertar. O segundo teve mais sucesso com um soco na cabeça.

Dario, que ainda viria a ser o Dadá Maravilha, precisou intervir junto aos companheiros para não baterem no novato. Telê nem precisou falar com os seus comandados. Parou o treino, disse que já tinha visto o suficiente, que o garoto havia dado uma aula de futebol a todos, o comparou com Di Stefano e Zizinho. E, por fim, o encaminhou ao departamento técnico do clube para levar os seus documentos e assinar contrato.


Assim teve início a história de Reinaldo no Atlético Mineiro, um dos mais geniais atacantes da história do futebol brasileiro. E dentre esses, o que talvez tenha sido o mais perseguido pelas contusões, resultado de uma combinação que inclui algumas doses cavalares (o termo se aplica bem ao caso) de truculência dos zagueirões da época, permissividade dos juízes, e caneladas de uma medicina esportiva que ainda engatinhava. Mesmo assim, nos pouco mais de dez anos como profissional, ele justificou o apelido de Rei que ganhou da imensa torcida do Galo.


A riquíssima trajetória deste cracaço é contada, nos mínimos detalhes, no livro Punho Cerrado, a história do Rei (Grupo Editorial Letramento), de autoria de Philipe Van R. Lima, filho do próprio Reinaldo. Uma leitura e tanto para conhecer de perto a vida de um atacante extraordinário e mergulhar no futebol brasileiro do início da década de 1970 até meados da de 1980.