A despedida inusitada de um saudoso craque canhoto





Tão genial com a canhota, quanto genioso no comportamento dentro e fora de campo, o saudoso meia, às vezes ponta esquerda, Mário Sérgio se despediu do futebol de uma forma inusitada:


“Obrigado a todos vocês, mas parei com o futebol”, falou para os companheiros do Bahia, no vestiário da Fonte Nova, durante o intervalo da partida em que o tricolor baiano enfrentava o Goiás, pela quinta rodada da Copa União.

A Placar (edição nº 906, de 12out1987) trouxe matéria, assinada por Washington de Souza Filho, sobre o jogo em que o Bahia derrotou os visitantes, com o sugestivo título “A última arte”.


Aos 37 anos, Mário Sérgio já andava sem paciência para muitas coisas do futebol. Se incomodava com vaias e não encarava as concentrações antes dos jogos. E esta foi a gota d’água.


O técnico Orlando Fantoni havia incluído o ‘Vesgo’ na lista para concentrar junto com os solteiros (embora fosse casado, sua esposa estava em São Paulo concluindo o curso de Economia), após o treino da sexta-feira anterior ao jogo.


Ele se recusou. O mal estar foi contornado e Fantoni, até por já perceber que o craque estava no limite, não o puniu, mantendo-a com a camisa 10 para o jogo diante dos goianos.


Os seus últimos 45 minutos em campo não foram dos melhores. Nem dele, nem da sua equipe, que desceram para o vestiário vaiados pela torcida, apesar de estar vencendo por 1x0.


“Ele disse que não tinha mais paciência para jogar debaixo de vaias”, contou o volante Serginho, antes do craque anunciar a sua aposentadoria.


O futebol inteligente, de dribles curtos, com a bola grudada no pé, e toque refinado de Mário Sérgio iluminou sua passagem por 12 clubes antes de chegar ao Bahia, assim como ganhava destaque na imprensa as suas discussões com técnicos e cartolas.


A carreira

Mário Sérgio iniciou a carreira em 1969, no Flamengo. Dois anos depois, foi para o Vitória, onde se tornou ídolo. Mas voltou ao Rio para ser parceiro de Rivelino na Máquina do Fluminense. Depois jogou no Botafogo e Rosário Central, da Argentina.


No final de 1979, retornou ao Brasil para defender o Internacional, depois o São Paulo, Ponte Preta e o Grêmio, apenas na partida final do Mundial Interclubes contra o Hamburgo-ALE.


Em 1984, transferiu-se para o Palmeiras. Passou mais tempo suspenso por causa de um doping do que jogando. Era a reta final da sua carreira como jogador. Atuou ainda no Botafogo-SP, Bellinzona-SUI até chegar ao Bahia.


Após anunciar que penduraria as chuteiras no vestiário da Fonte Nova, Mário Sérgio seguiu em Salvador e iniciou a carreira como técnico no Vitória.



Foto: Carlos Catela (Placar nº 906)














Revista Placar

Edição nº 906

12/OUTUBRO/1987