Uma coisa que não faltava no Brasil nos anos 1970 e 80 era camisa 10 habilidoso, de toques refinados, dribles desconcertantes e fazedor de gols. O #tbt Futebol Cards desta quinta fala de um cara que representou bem essa turma.

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Jorge Mendonça começou a carreira no Bangu. Ainda com 19 anos foi contratado por outro alvirrubro, o Náutico. No ano seguinte, conquistou o Pernambucano de 1974 e de lambuja terminou a competição como o artilheiro com 24 gols, oito deles marcados em uma única partida.

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O futebol refinado daquele garoto logo despertou atenção de outros clubes. Em 1976, desembarcou no Palmeiras para jogar ao lado de Ademir da Guia. Com um meio de campo desse naipe, que tinha ainda o jovem Pires, o resultado não poderia ser outro.

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O Verdão conquistou o Paulistão com uma campanha sensacional, perdendo apenas uma partida (para a Ponte Preta) e Jorge Mendonça foi o artilheiro da equipe com oito gols, incluindo o do jogo com o XV de Piracicaba, que deu o título antecipado, e os dois da vitória sobre o Corinthians na última rodada.

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Dois anos depois, foi um dos convocados pelo técnico Cláudio Coutinho para a Copa da Argentina, onde ganhou o duelo particular com Zico pela titularidade na equipe. No total foram apenas 11 jogos com a amarelinha, e dois gols marcados.

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Pelo futebol que jogava no Guarani (saiu do Palmeiras para o Vasco em 1980 e, logo depois, se mudou para Campinas) poderia ter para a Copa da Espanha, mas como não fazia parte dos mais disciplinados foi esquecido por Telê.

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Jorge Mendonça também atuou na Ponte, Cruzeiro, dentre outros clubes.



Em um 11 de setembro, o Santos faturou o bi da Libertadores ao derrotar o Boca Juniors dentro do La Bombonera por 2x1. Na primeira partida da decisão, no Maracanã, os brasileiros já haviam vencido por 3x2.

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Na foto, a imagem desolada de Errea, vendo a bola se encaminhar para as suas redes e Pelé partindo para comemoração do segundo gol, o da vitória, entre os zagueirões Marzolini e Rattin.

Coutinho marcou o primeiro gol santista na épica conquista do Peixe. Sanfilippo fez o dos portenhos.

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Foto: El Gráfico



O senhor engravatado que examina a chuteira de Didi é ninguém menos que o lendário Sepp Herberger, técnico da seleção da Alemanha campeã do mundo em 1954.

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Foi ele quem operou o ‘Milagre de Berna’, quando os alemães conseguiram a improvável virada, após iniciar a decisão da copa perdendo por 2x0, diante da poderosa Hungria, que havia atropelado todos os seus adversários anteriores.

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O time de Puskas e Kocsis havia sido impiedoso, com a própria Alemanha, na primeira fase: 8x3; e deu um baile no Brasil, nas quartas: 4x2. Fazia quatro anos que os húngaros não perdiam até a final de Berna.

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Mas o que fazia aquele senhor, tido como um ícone na reconstrução da autoestima do povo alemão, em frangalhos após o vexame nazista, pegando no pé, literalmente, de Didi?

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Em março de 1959, o Brasil voltava a campo para a disputa do Sul-americano, na Argentina. O time era praticamente o mesmo que levantara a Jules Rimet no ano anterior.

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Dentre os craques, Didi, o craque da Copa de 1958. Sepp não entendia como o brasileiro conseguia, sem esforço, meter em curvas sensacionais em passes milimétricos. A tal da ‘Folha seca’ era algo que passava tão longe da compreensão dos gringos quanto das mãos dos goleiros que tentavam alcançar a bola nas suas batidas para o gol.

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Para tirar suas dúvidas, o alemão embarcou para Buenos Aires e foi conversar pessoalmente com Didi, enquanto o acompanhava durante um treino.

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Segurando firmemente o seu inseparável caderninho de anotações, disparava tantas perguntas quanto fossem necessárias para saciar a sua curiosidade. Ouvia atento, enquanto anotava até a respiração de Didi. Examinava o pé de Didi, a chuteira...

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Não se tem notícia de como o treinador alemão fez uso das informações colhidas junto ao ‘Príncipe etíope’ brasileiro naquele março de 1959.

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Sepp Herberger foi técnico da Alemanha de 1950 a 1964, um dos 20 maiores de todos os tempos, segundo a revista inglesa World Soccer. Era um estrategista como poucos, um dos primeiros técnicos a estudar minuciosamente os seus adversários. Os húngaros que o diga, afinal, ninguém opera milagre à toa.